capítulo
do livro
Histórias de vida e formação
de professores
Elizeu Clementino de Souza
Ana Chrystina Venancio Mignot
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Pontos
iniciais
A emergência e a utilização, cada vez mais crescente, das autobiografias
e das biografias educativas em contextos de pesquisas na área
educacional, têm permitido evidenciar e aprofundar análises sobre
as experiências educativas e educacionais dos sujeitos, bem como
potencializam entender diferentes mecanismos e processos em temporalidades
diversas. As biografias educativas também propiciam adentrar,
através do texto narrativo, nas representações de professores
sobre as relações ensino-aprendizagem, sobre a identidade profissional,
os ciclos de vida e, por fim, possibilitam entender os sujeitos
e os sentidos e situações do/no contexto escolar.
Qual
o sentido da escrita de si e sobre si no processo de formação
de professores? Como a escrita poderá ou não possibilitar aprendizagens
sobre a profissão? O que são histórias de vida e como emergem
no campo da formação de professores e da pesquisa em educação?
O que é a educação senão a construção sócio-histórica e cotidiana
das narrativas pessoal e profissional? Qual o papel da narrativa
para a constituição do sujeito da experiência? Estas questões,
que se imbricam, se tocam e se entrecruzam, funcionam como fio
condutor desta coletânea que examina as interfaces e as relações
entre a abordagem (auto)biográfica, as histórias de vida e as
práticas de formação.
Assim
como tantos livros, este também tem sua história. Os capítulos
foram escritos inicialmente para a série “História de vida e práticas
de formação: escrita de si e cotidiano escolar”, organizada por
Elizeu Clementino de Souza, veiculada pelo Programa Salto para
o Futuro, da TV Escola, em março de 2007. Dividido em cinco programas
– “Abordagem experiencial: pesquisa educacional, formação e histórias
de vida”; “Memória, autobiografia e relatos de formação: a escola,
a sala de aula e o fazer docente”; “Diário de formação e projeto
pedagógico da escola: memória em construção”; “Experiência, histórias
de leitura e formação: os bastidores da leitura”; e “Nós somos
o que contamos: a escrita de si como prática de formação”1,
– a referida série teve por objetivo “discutir as questões teóricas
sobre as histórias de vida e dimensões concernentes às práticas
de formação”.
Muitos
deles permanecem como apresentados na versão inicial. Alguns foram
ampliados, a partir da interação com os professores de todo o
país que formularam perguntas ao vivo, por telefone, fax ou mensagens
eletrônicas. Outros foram produzidos por participantes dos programas
que se propuseram a colocar no papel muitas das idéias que circularam
naquela ocasião. A estes veio juntar-se a conferência de encerramento
feita por Gaston Pineau, recentemente, no Colloque le biographique,
la réflexivité et les temporalités, na Université de Tours. Diretor
do Departamento de Ciências da Educação e da Formação desta instituição,
seus estudos sobre teoria tripolar da formação, histórias de vida
e ecoformação se constituem em indispensável referência para os
pesquisadores que se voltam para estas temáticas. De certa forma,
ele também participou do programa televisivo: no depoimento previamente
gravado, nas idéias discutidas, na inspiração e instigação para
que se incorporem as histórias de vida no centro do debate e da
reflexão sobre a educação e os educadores.
Aglutinando
pesquisadores de diferentes tradições disciplinares e de várias
regiões geográficas – Rio Grande do Norte, Bahia, Rio de Janeiro,
São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul – a coletânea trata
de histórias de vida e narrativas de formação. Os autores adotam,
além da reflexividade, outros aspectos e questões relativas à
subjetividade e à importância de se ouvir a voz do professor ou
compreender o sentido da investigação-formação, centrada na abordagem
experiencial, por partir da teoria da atividade do sujeito que
aprende a partir da sua própria história. Discutem e sistematizam
questões relacionadas à memória e seu papel na constituição da
escola, das práticas pedagógicas e do cotidiano escolar. Buscam
entender a escola como um lugar privilegiado de memórias. Evidenciam
diferentes objetos-memória do cotidiano escolar que nos fazem
lembrar da escola e de como esta contribuiu para a formação dos
sujeitos. Relacionam memória, (auto)biografia e formação, numa
perspectiva polifônica.
Zeila
de Brito Fabri Demartini, em “Das histórias de vida às histórias
de formação”, chama a atenção para o fato de que o retorno ao
biográfico e aos relatos de vida indica uma mudança no campo geral
da investigação e da reflexão contemporânea nas ciências humanas;
na produção do conhecimento, pois os sujeitos ganham vida, suas
experiências e memórias ganham força. No campo educacional, educadores
e educandos são pensados como sujeitos ativos que constroem conhecimento
através de relações dialógicas que estabelecem. É na diversidade
de situações e experiências por eles vivenciadas que a educação
se concretiza. Apreender, portanto, as histórias das relações
educacionais que foram estabelecidas por vários sujeitos, torna-se
fundamental para o conhecimento das muitas práticas pedagógicas
e processos formativos. E todas as vidas são importantes, todas
as experiências merecem atenção: a reflexão sobre as mesmas pode
levar a novos conhecimentos e a novos posicionamentos. A reflexão
sobre as histórias de vida no campo educacional pode/deve ser
realizada pelo próprio sujeito (o conhecimento de si) ou por outros,
através de pesquisa comparativa. A construção de conhecimento
implica em analisar, isto é, em desfazer a experiência da vida
para melhor entendê-la, em movimentos de decomposição e recomposição
que permitam chegar a uma compreensão mais profunda de seu sentido.
Tais movimentos possibilitam processos formativos tanto do próprio
sujeito que reflete sobre sua trajetória, como daqueles que se
debruçam sobre as histórias de vida de outros, tentando apreendê-las.
Os processos formativos ocorrem quando a reflexão pode aliar-se
ao narrar e ao escrever.
“Contribuições
das histórias de vida em contextos de formação de professores/as:
um olhar sobre a literatura educacional” é o título do capítulo
de Inês Ferreira de Souza Bragança, no qual focaliza as relações
entre a abordagem teórico-metodológica das histórias de vida e
o campo da formação de professores/as. Nesse movimento, recorre
especialmente a trabalhos realizados em Portugal, no Brasil e
nos países francófonos, buscando um diálogo entre a produção no
referido domínio. Inicialmente, destaca alguns indícios históricos
para, então, focalizar as contribuições indicadas pela literatura
na relação com a formação docente, observando a reivindicação
de uma nova epistemologia de investigação e de formação e potencialidades
em dimensões ontológicas, pedagógicas e políticas. O estudo da
literatura confronta-nos com diversidades teóricas, metodológicas
e epistemológicas e, frente a este espectro, busca um movimento
de reflexão que sinalize “indícios e sinais” de caminhos possíveis.
Caminhos que, contrariando o sentido do modismo, sinalizem o aprofundamento
desta abordagem como uma, dentre outras, “vielas” instituintes
para pensar e fazer a educação e a formação de professores/as.
Elizeu
Clementino de Souza, por sua vez, aborda no texto “Histórias de
vida, escritas de si e abordagem experiencial” questões relacionadas
às histórias de vida como prática de pesquisa e de formação, ao
analisar dimensões formadoras da escrita de si no âmbito do cotidiano
e do trabalho escolar ou mais especificamente, nos espaços/tempos
de formação inicial ou continuada de professores. A discussão
ancora-se no conceito de abordagem experiencial e suas implicações
frentes às políticas de sentidos da formação docente na contemporaneidade.
O texto discute perspectivas teóricas sobre a abordagem experiencial,
ao buscar refletir sobre a potencialidade do trabalho centrado
nas (auto)biografias e sistematizar a origem da utilização da
abordagem experiencial ou das histórias de vida, no âmbito da
pesquisa e de sua entrada na educação como prática de investigação/formação
do adulto.
“Escritas
invisíveis: diários de professoras e estratégias de preservação
da memória escolar” é o capítulo de Ana Chrystina Venancio Mignot,
no qual examina a produção acadêmica na perspectiva histórica
sobre diários de professoras, um registro condenado ao abandono
e ao esquecimento. Assinala que tão importante quanto criar condições
para que as professoras escrevam sobre a experiência docente,
é dar visibilidade a estas escritas, onde o pessoal e o profissional
se entrelaçam. Neste sentido, lembra que “escrever, preservar,
expor e publicar estes papéis pode contribuir também para que
as gerações futuras compreendam e interpretem as atuais tensões
e contradições que perpassam o permanente processo de construção
de uma escola pedagógica e politicamente comprometida com os anseios
de um mundo melhor, mais justo e solidário. A importância de guardar
estes documentos é ainda maior, pois com a escrita em novos suportes,
como a tela do computador, corremos o risco de não deixar rastros
escritos a respeito do que acreditamos, sentimos, fazemos”.
Tomando
como base empírica um conjunto de doze cadernos/diários escritos
por duas mulheres (estudantes do Curso Normal/professoras) entre
1964 e 1974, preservados em um acervo pessoal, em Florianópolis,
Maria Teresa Santos Cunha, no capítulo “Professoras escrevem diários:
escritas de si, escritas para o outro”, considera que tais escritos
permitem um dado conhecimento de como pessoas comuns/ordinárias
registraram/construíram/inventaram ações da experiência profissional
através de práticas de escrita biográfica e autobiográfica. Nestes
diários, quase sempre, destinados à invisibilidade – um corpo
documental de inestimável valor como fonte histórica pode fornecer
informações e indícios sobre práticas cotidianas relativas ao
ato de ensinar/aprender expressas nas narrativas que descrevem
hábitos, costumes, valores e representações de uma época estudantil
e escolar.
“Nós
somos o que contamos: a narrativa de si como prática de formação”
é o sugestivo título do capítulo de Nilda Alves, no qual defende
a fecundidade de pesquisas em educação que articulem narrativas
de professores e imagens “para se escrever uma história da escola
brasileira, na qual o que conta é a experiência cotidiana de seus
praticantes, dentro e fora dela, em todas as redes de conhecimentos
e significados nas quais aprendemosensinamos. Desejo mostrar isso,
pois, nas pesquisas que coordeno algumas vêm tendo importância
tanto do ponto de vista teórico-metodológico, quanto teórico-epistemológico.
Trata-se, assim, de compreender que a história das práticas docentes
pode ser conhecida, não somente assistindo a aulas, como também
ouvindo o que é ‘contado’ por esses tantos praticantes sobre suas
experiências pedagógicas, didáticas e curriculares e olhando imagens
que nos mostram, durante nossas conversas, ou que conseguimos
de outras formas – buscando em arquivos, em álbuns publicados,
obtidas com pessoas – que, sabedoras de nosso trabalho, nos fornecem
algumas histórias que consideraram interessantes para serem incluídas
em nossos estudos”.
Ao
discutir pistas e refletir sobre momentos significativos de reinterpretação
do que se faz e do que se está sendo no contexto institucional
de formação docente, Maria da Conceição Passeggi e Tatyana Mabel
Nobre Barbosa, intentam no texto “A (re)invenção de si na formação
docente” sistematizar experiências relacionadas ao acompanhamento,
durante um ano letivo, do processo de elaboração do memorial,
num pequeno grupo, acompanhado por uma professora-formadora. Para
traçar os movimentos da reinvenção de si, recorrem a duas fontes:
os relatos de experiências de professores realizados no grupo
e a reinterpretação desses relatos, encontrada nos memoriais.
Focalizam a trajetória de apenas uma professora que consentiu
o estudo de sua trajetória e se dispôs a ler e comentar as observações.
A metodologia adotada é, portanto, longitudinal e se inscreve
na corrente de metodologias hermenêuticas de pesquisas produzidas
pela pessoa que narra sobre seu percurso de vida. A discussão
apresentada centra-se na relação que se estabelece entre o narrador
e o formador que o acompanha durante o processo de escrita, procurando
compreender a situação de injunção social e a forma como essa
injunção é percebida durante o processo de escrita, para questionar
a dinâmica das transformações das representações de si no contexto
institucional.
Vários
são os autores de “A escrita de memoriais a favor da pesquisa
e da formação”: Guilherme do Val Toledo Prado, Renata Cristina
Oliveira Barrichelo Cunha, Rosaura Soligo e Eliane Greice Davanço
Nogueira. Eles consideram que as narrativas são gêneros do discurso
privilegiados para que os profissionais da educação registrem
suas experiências e reflexões, articulando conhecimentos e saberes
da formação e da profissão. Defendem a produção de memoriais como
potencializadores do conhecimento sobre si mesmo, sobre o processo
de formação e sobre o próprio trabalho. O uso de memoriais em
contextos de formação e/ou pesquisa têm reafirmado a convicção
do quanto esse tipo de narrativa autobiográfica favorece a meta-reflexão
e o reconhecimento dos profissionais de seu “saber que sabe”,
isto é, a percepção crítica de suas possibilidades, limites, implicações
e compromissos. Os autores destacam que nas situações de pesquisa,
o memorial pode constituir-se em instrumento de produção de dados,
trazendo ao pesquisador informações importantes sobre o que os
profissionais pensam, fazem e pensam sobre o que fazem.
O
capítulo de Verbena Maria Rocha Cordeiro, “Com quantas histórias
se faz um leitor?”, toma os estudos no campo da leitura, particularmente
sobre as práticas culturais de leitura, na perspectiva da abordagem
autobiográfica e desenha a genealogia das formas de ler a partir
das narrativas de vida e o significado cultural da leitura na
vida de cada indivíduo. O leque de leitores, por sua vez, reparte-se
entre as mais diferentes categorias. São crianças, jovens, adultos,
estudantes, trabalhadores, profissionais diversos, dentre outros,
que a depender de sua idade, classe social e sexo mantêm relações
diferenciadas com a cultura escrita. Esta, por sua vez, condiciona
também sua posição na hierarquia social, influencia-lhe a maneira
de exercer seus papéis sociais e lhes assinala um status. Pretende-se,
a partir dos relatos (auto)biográficos de práticas culturais de
leitura, a produção e socialização dessas escritas de si, no entendimento
de que os processos de formação se modelam na tensão entre as
experiências e as marcas de histórias de leitura de cada sujeito.
Para tanto, elege como eixo a interface entre dimensões da memória
e lembranças de leituras do/no cotidiano escolar e dos saberes
docentes.
Recorrendo
a pressupostos teóricos oriundos da Poética da Oralidade, dos
Estudos Culturais e da Etnocenologia, em “O itinerário de uma
contadora de histórias: aspectos formativos”, Maria Antônia Ramos
Coutinho articula aspectos biográficos e teóricos e inclui depoimentos
e relatos através dos quais o sujeito discursivo transmite uma
certa idéia de si, dentro de uma estrutura de significação biográfica.
Ao reinterpretar a vida, o indivíduo remodela o passado, reconstrói
o presente e projeta o futuro. A autora examina o percurso pessoal
e profissional de uma contadora de histórias tanto nas festas
familiares, como na vida pública. Visa esclarecer as situações
de formação nas quais se configurou o perfil da contadora de histórias,
urbana e letrada, cujo ofício de contar se realiza há mais de
sessenta anos, o que equivale a uma existência, fazendo confluir,
na mesma cadeia semântica, o viver e o narrar.
Discorrendo
sobre “Memórias e registros da escola e da não-escola”, Jaci Maria
Ferraz Menezes busca entender a escola como um lugar privilegiado
de memórias. A relação memória, (auto)biografia e formação configura-se
como eixo articulador do texto, com o objetivo de tomar diferentes
objetos-memória do cotidiano escolar que nos fazem lembrar da
escola e de como esta contribui para a formação da personalidade
dos sujeitos e, principalmente, daqueles que não tiveram acesso
à escola e das lembranças geradas pela ausência da escola. A discussão
sobre memória escolar e história da educação, emerge no trabalho
e desdobra-se no entendimento de como se dá a relação entre a
aquisição do conhecimento e a instituição escolar através reminiscências
dos objetos e da cultura escolar para uns e das lembranças geradas
pela ausência da escola para outros.
Finalmente,
os arquivos pessoais de professores são analisados por Dirceu
CastilhoPacheco em “Por outras narrativas das escolas e de seus
sujeitos-praticantes: possibilidades dos/nos registros cotidianos”.
Para o autor, eles contêm objetos (auto)biográficos que as pesquisas
no campo educacional, nas últimas duas décadas, vêm, ainda que
de maneira tímida, incorporando e utilizando no processo de criação
de conhecimento na área. A investigação acadêmica com estes objetos
possibilita, no seu ponto de vista, explicitar teorias, métodos,
práticas, táticas, estratégias pedagógicas, formação pessoal e
profissional, além de convicções políticas, memórias, histórias
de vida e subjetividades.
Em
cada um destes textos, um convite a pensar sobre os registros
de experiências vividas no cotidiano pessoal e/ou profissional
que possibilitam ao sujeito, enquanto autor e ator de sua própria
história, eleger aprendizagens significativas e ressignificá-las
no trabalho de formação inicial ou continuada no âmbito do trabalho
escolar. Escrever é, pois, um ato de desnudar-se e esta é a intenção
deste livro: possibilitar aos professores/professoras uma reflexão
sobre o sentido e a pertinência da escrita como prática de formação,
auto-formação e transformação de si.
1
No texto introdutório da série, Elizeu Clementino
de Souza (2007) observou que “O Programa 1 busca apresentar
e sistematizar a origem da utilização da abordagem
experiencial ou das histórias de vida, no âmbito
da pesquisa e de sua entrada na educação como prática
de investigação/formação do adulto.
O centro do programa é a discussão sobre o papel
do relato oral/escrito na pesquisa/formação. O Programa
2 tenciona discutir e sistematizar questões relacionadas
à memória e seu papel na constituição
da escola, das práticas pedagógicas e do cotidiano
escolar. Busca-se entender a escola como um lugar privilegiado
de memórias. A relação memória (auto)biográfica
e formação retornam para o programa, com o objetivo
de tomar diferentes objetos-memória do cotidiano escolar
que nos fazem lembrar da escola e de como contribui e contribuiu
para a formação da personalidade dos sujeitos. O
Programa 3 centra-se na discussão sobre os diários
de formação e busca relacionar as práticas
de escritas de si com o projeto pedagógico da escola e
as dimensões visíveis e invisíveis de seu
cotidiano. O Programa 4 parte do conceito de experiência
e discute a relação leitura-formação
ao enfocar os bastidores da leitura, através de histórias
e cenas vivenciadas e experienciadas nos múltiplos espaços
de formação e auto-formação. O Programa
5 intenta sistematizar e sintetizar questões gerais abordadas
na série, ao focar sua atenção no sujeito
que narra, nas formas de contação/expressão
da cultura e do cotidiano social e escolar”.
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