VOZES
FEMININAS
do Império e da República:
um livro oportuno e bem escrito
Por Arnaldo Niskier
(da
Academia Brasileira de Letras)
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Conhecemos
Lia Faria há muitos anos e sempre apreciamos a tenacidade
com que desenvolve as atividades a que se dedica, sobretudo no
que se refere à educação.
Como educadora, teve em Darcy Ribeiro o paradigma que seguiu,
com grande e dedicada fidelidade.
O trabalho
frente à Secretaria de Estado de Educação
do Rio de Janeiro concomitantemente com a presidência do
Conselho Estadual de Educação - CEE são testemunhos
da sua exemplar atuação.
Na UERJ
é docente respeitada e querida tanto na graduação
quanto na pós-graduação. Em votação
direta, assumiu a direção da sua tradicional Faculdade
de Educação, berço de tantos feitos pedagógicos.
Agora,
antenada com a importância que passou a ser dada à
questão de gênero, organizou este livro com a também
professora Yolanda Lobo, pesquisadora do Núcleo de Estudos
sobre Exclusão e Violência do Centro de Ciências
do Homem da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro
(UENF), em que fica claro que se trata do posicionamento feminino
de identidades luso-brasileiras durante os períodos do
Império e da República.
Um conjunto
de autoras realizou pesquisas voltadas prioritariamente para as
áreas da educação e da cultura, divididas
em três partes: falas imperiais, literárias e apaixonadas.
É
atraente a abordagem feita por Maria Célia Chaves Vasconcelos,
considerando a educação doméstica, ministrada
à realeza entre os séculos XVI e XIX, como modalidade
de ensino.
Os ricos
propiciavam aos filhos eternas aulas particulares, com os mestres,
morando nas casas dos alunos e, além de atuarem como docentes,
acompanhavam seus discípulos nas atividades do dia-a-dia,
como ir às missas, passeios, etc.
A
preferência por preceptoras estrangeiras tornou-se um hábito
que se alastrou, chegando às páginas dos jornais,
nos quais se ofereciam, propalando as próprias qualidades.
A leitura
desta obra é um exercício extremamente prazeroso.
Vejam o texto de Constância Lima Duarte, “Nísia
Floresta e a educação feminina no século
XIX”, que leva o leitor a ter vontade de lê-lo mais
e cada vez mais, devido a provocação da própria
Nísia Floresta: “A esperança de que, nas gerações
futuras do Brasil, a mulher assumirá a posição
que lhe compete, nos pode somente consolar de sua sorte presente”.
Nísia
Floresta foi responsável pelas inovações
surgidas no Colégio Augusto, no Rio de Janeiro (1838-1855),
considerado à época introdutor do Latim, do Francês,
da História e da Geografia nas escolas. Pela primeira vez,
houve a preocupação com a limitação
de vagas por turno, visando à qualidade do ensino.
Nísia
viajou a diversos países e voltou ao Brasil, defendendo
a tese de que “o progresso de uma sociedade depende da educação
que é oferecida à mulher.”
Importante ressaltar a qualidade das referências bibliográficas
registradas pelas autoras, demonstrando o quanto se dedicaram
nas pesquisas que se dispuseram a fazer. O livro, pois, é
extremamente oportuno, bem escrito, e certamente, fará
sucesso entre os que tiverem o privilégio da sua leitura.
É recomendável a todos aqueles que querem conhecer
um pouco mais da visão dessas mulheres valorosas, com suas
falas imperiais, literárias ou apaixonadas.
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